O QUE REPRESENTA A TRANSFORMAÇÃO RADICAL DE DILMA ROUSSEF – UMA REFLEXÃO

 

Juntamente com a chegada de um novo ano – e todos os seus votos de esperança -, o início de 2011 significou, do mesmo modo, a posse de Dilma Roussef na presidência do Brasil.

Talvez não devesse fazer qualquer tipo de conotação política, mas sou favorável à Dilma, e creio que todos nós, como cidadãos, devemos apoiar e torcer por seu trabalho, enquanto ainda há esperança, como dito acima.

Entretanto, o tópico primordial não é sobre sua carreira política ou sobre os ministros que tomaram posse nos últimos dias, mas sobre a transformação radical de seu visual. Proponho que levantemos uma reflexão sobre o assunto.

Faz algum tempo que começou a especulação sobre quem seria a candidata de Lula ao governo, e o nome mais lembrado era o da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Uma escolha arriscada, pensava, já que a ministra foi militante contra a ditadura, com histórico de assalto a bancos e tudo, e conheço algumas pessoas que apedrejaram-na por esse fato isolado, que ocorreu em um momento singular, radicalmente diferente do hoje. E a situação era um tanto pior, já que Dilma não tinha – e continuou não tendo – experiência em cargos políticos. Mas o que era difícil complicou-se. Sua imagem pessoal.

Dilma era observada como sendo forte, truculenta, brava, rude, persistente. E sua imagem exterior era a de uma mulher envelhecida, sem grandes vaidades, cuja preocupação primordial era o trabalho. Características que, durante o período até sua indicação à candidatura, foram explicitamente manipuladas, já que a população não simpatizava com o que sua figura representava.

Desde então, apesar de um câncer, Dilma participou de um extreme makeover. Suas roupas antigas sumiram, seus cabelos foram gradualmente transformados, e foi observado inclusive pequenas correções estéticas em seu rosto. Celso Kamura foi o hairdesigner responsável e até Alexandre Herchcovitch cuidou de seu styling. Uma equipe de peso para que Roussef fosse considerada com mais simpatia pelos eleitores.

E é exatamente isso que deveria suscitar uma discussão. Obviamente a educação e gentileza posteriores são favoráveis, já que sempre são pontos a serem aprimorados por qualquer indivíduo, mas é importante que avaliemos até onde sua identidade visual realmente faz diferença, principalmente em um cargo como o de Dilma, chefe de Estado. É racional que a opinião pública se transforme apenas pelas mudanças de um look? É possível que com esse comportamento em massa os marqueteiros políticos passem a desconsiderar outros fatores que possam ser infinitamente mais relevantes, como sua experiências, práticas e discurso? Porque, pelo que pudemos observar, essas eleições foram as menos sérias possíveis, no que concerne à parte pragmática e de conteúdos das campanhas e debates dos candidatos. Exceto pela candidata Marina Silva, me arrisco a dizer, que sempre explicitava seus planos de governo.

 

Dilma está linda, seu cabelo está espetacular, e as dicas de styling foram essenciais. Mas e o que a candidata de fato representava além do superficialismo pela qual foi julgada pela opinião em geral?

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4 pensamentos sobre “O QUE REPRESENTA A TRANSFORMAÇÃO RADICAL DE DILMA ROUSSEF – UMA REFLEXÃO

  1. Daniel Jacó disse:

    Me lembro do Luís Felipe Miguel contando que, na eleição JFk x Nixon, quem assitiu o debate pela TV considerou que JFK venceu o debate. Quem ouviu pelo rádio, deu vitória a Nixon. Dizem que é porque JFK era mais bonito e olhava pra câmera, e o Nixon suava demais. Se deveria ser assim eu não sei, mas o fato é que a imagem é de suma importância pras democracias midiáticas. Acho que a questão não é tentar mudar isso – pra mim, nem é possível – mas inventar formas melhores de lidar com a questão.

    Tá de parabéns pelo texto!

    • Concordo, Dan, acho que é até inerente ao ser humano considerar a imagem como fator primordial, em primeira análise, portanto devemos procurar melhores estratégias de analisar o comportamento e propostas nas democracias midiáticas, como tu dissestes. E JFK é um caso ímpar na história dos EUA, já que ele representava as expectativas e desejos de um país em suas características pessoais.

      Eita comentário inteligente o teu, o meu muito obrigada por passar por aqui!

      • Daniel Jacó disse:

        Realmente, JFK foi ímpar e ilustra bem essa questão da imagem na política. Assim como o Lula, que com toda sua singularidade, não pode abrir mão de aparar a barba. Hehehehe…

        =D

      • ontem lembrei de um documentário que assisti na minha aula de ‘o doc’ que mostra justamente essa eleição, PRIMARY, dos irmãos Maysles – primárias dos EUA – mas nem achei trailer UÓH
        o do lula é mais fácil né, entreatos, do joão moreira salles, haha sem ser aquela baboseira de o filho do brasil 🙂

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